Pajeon: a panqueca coreana que vai te surpreender

Se você já assistiu a um drama coreano ou explorou a culinária asiática, provavelmente já se deparou com o pajeon (파전) — uma espécie de panqueca salgada feita com cebolinha e massa crocante, que é um dos pratos mais amados da Coreia do Sul.

Simples de fazer, saboroso e cheio de história, o pajeon é uma daquelas receitas que qualquer pessoa consegue reproduzir em casa, mesmo sem ter experiência com a culinária coreana.


O que é pajeon?

O nome já explica tudo: pa (파) significa cebolinha em coreano, e jeon (전) é o termo genérico para qualquer alimento empanado e frito em frigideira com massa. Ou seja, pajeon é literalmente uma “panqueca de cebolinha”.

Dentro da família dos jeon, existem dezenas de variações — com frutos do mar (haemul pajeon), kimchi (kimchi jeon), abobrinha (hobak jeon) — mas o pajeon de cebolinha pura é o mais clássico e o ponto de partida perfeito para quem está conhecendo a culinária coreana agora.


A história do pajeon

As origens do jeon na Coreia antiga

O jeon como técnica culinária existe na Coreia há mais de mil anos. Registros históricos do período Goryeo (918–1392) já mencionam preparações de alimentos fritos em óleo com massa — um método que era considerado sofisticado e reservado para ocasiões especiais, cerimônias religiosas e oferendas aos ancestrais.

Do ritual à mesa do povo

Durante o período Joseon (1392–1897), o jeon ganhou ainda mais prestígio e passou a fazer parte dos rituais confucionistas chamados jesa (제사), cerimônias de homenagem aos antepassados que existem até hoje. Era comum preparar diferentes tipos de jeon como oferenda, e depois da cerimônia, toda a família se reunia para comer juntos — uma tradição que reforçava os laços familiares e comunitários.

Com o tempo, o jeon saiu das mesas nobres e se popularizou entre o povo, tornando-se um prato do cotidiano. A cebolinha, ingrediente abundante e barato na Coreia, virou o recheio mais acessível — e assim nasceu o pajeon como conhecemos hoje.


Pajeon e chuva: uma combinação cultural

Na Coreia do Sul, existe uma associação cultural muito forte entre dias chuvosos e pajeon. Não é exagero: quando chove, as vendas de pajeon disparam no país inteiro.

Por que coreanos comem pajeon na chuva?

A explicação tem raízes sensoriais e emocionais. O barulho do óleo quente na frigideira — aquele tchiii característico quando a massa cai no azeite — lembra muito o som da chuva caindo. Esse estímulo sonoro desperta uma sensação de aconchego e nostalgia nos coreanos, criando uma associação quase pavloviana: chuva = pajeon.

Pajeon e makgeolli: a dupla perfeita

Junto com essa tradição vem o 막걸리 (makgeolli), um licor de arroz fermentado levemente ácido e cremoso, que é o acompanhamento clássico do pajeon. A dupla pajeon + makgeolli em um dia frio e chuvoso é, para os coreanos, o equivalente cultural de um brasileiro tomando chocolate quente com pão de queijo numa tarde de chuva.

Hoje, essa tradição é tão enraizada que virou tema de campanhas publicitárias, memes e até feriados informais nas redes sociais coreanas.


Receita de pajeon (파전)

Rendimento: 2 porções | Tempo: 20 minutos

Ingredientes

Para a massa:

  • 1 xícara de farinha de trigo
  • ¾ xícara de água gelada
  • 1 ovo
  • ½ colher de chá de sal
  • 1 pitada de açúcar

Recheio:

  • 1 maço de cebolinha (a parte verde e branca)
  • Opcional: camarão, lula ou polvo em pedaços pequenos

Para fritar:

  • Óleo vegetal (o suficiente para cobrir bem o fundo da frigideira)

Molho para mergulhar:

  • 2 colheres de sopa de shoyu
  • 1 colher de sopa de vinagre de arroz (ou vinagre branco)
  • ½ colher de chá de açúcar
  • Pimenta vermelha em flocos a gosto
  • Gergelim torrado a gosto

Modo de preparo

1. Prepare a massa
Em uma tigela, misture a farinha, a água gelada, o ovo, o sal e o açúcar. Mexa bem até obter uma massa homogênea, sem grumos. A consistência deve ser um pouco mais líquida do que uma massa de panqueca comum — isso garante a crocância característica do pajeon. Dica importante: a água gelada faz toda a diferença para deixar a massa leve e crocante. Não pule esse passo.

2. Prepare a cebolinha
Lave bem as cebolinhas e corte-as no comprimento da sua frigideira. Se estiver usando frutos do mar, tempere levemente com sal e pimenta.

3. Frite o pajeon
Aqueça bem a frigideira em fogo médio-alto e adicione uma quantidade generosa de óleo. Quando o óleo estiver quente, disponha as cebolinhas em camadas no fundo da frigideira. Despeje a massa por cima, cobrindo toda a cebolinha. Se estiver usando frutos do mar, distribua por cima da massa agora.

4. Doure dos dois lados
Cozinhe por 3 a 4 minutos até a parte de baixo estar bem dourada e crocante. Vire com cuidado e pressione levemente com a espátula. Cozinhe por mais 2 a 3 minutos até o outro lado estar igualmente dourado.

5. Prepare o molho
Enquanto o pajeon frita, misture todos os ingredientes do molho em uma tigelinha. Prove e ajuste o equilíbrio entre salgado, ácido e doce conforme seu gosto.

6. Sirva imediatamente
Corte o pajeon em pedaços retangulares ou quadrados e sirva quente com o molho ao lado.

Pajeon receita

Dicas para um pajeon perfeito

  • Frigideira antiaderente é essencial para virar sem quebrar.
  • Não mexa enquanto frita — deixe a massa firmar antes de virar.
  • Óleo generoso é o segredo da crocância. Não economize.
  • Coma na hora — o pajeon perde a crocância rapidamente se ficar esperando.

Onde encontrar os ingredientes no Brasil

Se você está no Brasil e quer fazer a receita original, os ingredientes são fáceis de encontrar. A cebolinha está em qualquer mercado. O shoyu e o vinagre de arroz você encontra em mercados asiáticos — em São Paulo, o bairro da Liberdade tem várias opções. O makgeolli, se quiser a experiência completa, pode ser encontrado em lojas de produtos coreanos na região do Bom Retiro.


Conclusão

O pajeon é uma daquelas receitas que provam que a culinária coreana não é complicada — ela é inteligente. Com poucos ingredientes e uma técnica simples, você consegue um resultado surpreendente: crocante por fora, macio por dentro, cheio de sabor.

Experimente numa tarde de chuva. Coloque uma música coreana, prepare o molho e ouça o som da massa caindo na frigideira. Você vai entender por que os coreanos amam tanto esse prato.

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